SaaSpocalypse: o cliente não quer mais ferramenta, quer o trabalho pronto
A próxima geração de software deve sair da lógica de telas e funcionalidades para uma lógica de execução, evidência e resultado.
A tal “SaaSpocalypse” talvez não seja sobre o fim do SaaS.
Talvez ela fale mais sobre o fim de uma certa fase do software.
Por muito tempo, as empresas compraram sistemas para ajudar pessoas a executar tarefas.
Um software para contabilidade.
Um software para atendimento.
Um software para auditoria.
Um software para organizar processos internos.
A promessa sempre foi produtividade.
Mas, no fundo, o cliente nunca quis só mais uma tela, mais um login ou mais um painel.
Ele queria o problema resolvido.
A Sequoia trouxe uma tese muito interessante quando falou que “services” podem ser o novo software.
E, sinceramente, isso faz bastante sentido.
A próxima geração de produtos talvez não venda apenas a ferramenta para o contador fechar o mês.
Ela pode entregar o fechamento pronto.
Talvez não venda apenas um sistema para o jurídico revisar documentos.
Entregue o contrato analisado, classificado e encaminhado.
Talvez não ofereça apenas uma plataforma para auditoria médica.
Entregue a inconsistência identificada, a evidência organizada e a trilha de decisão pronta para revisão.
Acho que essa é a mudança mais importante.
Estamos saindo de um mercado em que o software era usado por pessoas para executar processos.
E entrando em um mercado em que o software, junto com agentes, dados, integrações e regras de negócio, começa a executar partes relevantes desses processos.
Isso não significa o fim do SaaS.
Mas certamente muda o lugar dele.
O SaaS fechado, genérico e centrado apenas em funcionalidades pode perder espaço.
Por outro lado, o software que se transforma em capacidade operacional, plugável, auditável e orientada a resultado tende a ganhar ainda mais valor.
No fim do dia, o cliente não quer comprar “mais uma ferramenta”.
Ele quer reduzir fricção, custo, tempo e risco.
Quer menos operação manual.
Quer mais clareza sobre o que foi feito, por que foi feito e com base em quais evidências.
Por isso, eu acredito que o futuro do desenvolvimento de software não está apenas em criar plataformas cada vez maiores.
Está em construir sistemas mais inteligentes, mais especializados e mais próximos do resultado que o negócio realmente precisa entregar.
A SaaSpocalypse não é o fim do software.
Talvez seja o começo de uma nova pergunta:
Você está vendendo uma ferramenta ou está entregando o trabalho pronto?

